Como o conceito da Steamcon esse ano é o sobrenatural do steampunk, essa é uma postagem que podem servir como inspiração para que se preparem para o evento, tanto para montarem seus visuais, como para entrarem no clima do tema escolhido.

Vamos começar com as REFERÊNCIAS HISTÓRICAS:

O final do Século XIX foi uma época em que não apenas a tecnologia se popularizava e a ciência dava novos saltos, mas também foi um período em que uma curiosidade sobre o oculto que sempre esteve presente, tomou uma forma organizada distinta.
Se antes os mistérios do mundo entre este e o próximo eram algo apenas estudado por sacerdotes e mestres religiosos, o assunto passou a ser matéria explorada por pessoas dos mais diferentes círculos e classes sociais, e pelos mais diferentes motivos.

Alguns buscavam tentar entender esses assuntos por meio da ciência e da filosofia, tentando jogar uma iluminação empírica sobre aparições, vidência, mesmerismo, e sombre todos os feitos extraordinários da magia e do mentalismo. Era a semente do que hoje chamamos de Parapsicologia.

Outros tinham fins mais etéreos, e com eles surgiu o movimento espiritualista, que possuía tanto aqueles que legitimamente buscavam a iluminação, quanto aqueles que tinham métodos mais teatrais e cheios de encenação, e também vieram os diversos ramos da magia cerimonial ocidental, com suas ordens iniciáticas secretas, cheias de praticantes com educação universitária e heranças que garantiam que suas invocações e rituais seriam suas únicas preocupações.

E é claro, existem aqueles que queria compreender o oculto não apenas para ver o que tinha de verdade por trás de tudo, mas para ver o que havia de mentira, e com isso surgem diverso especialistas cuja unica missão é desmascarar os charlatões que enganam pessoas com seus dotes místicos.

Vamos dar alguns exemplos de indivíduos da época que podem ser usados como referência:

As Irmãs Fox

O Movimento Espiritualista começou quando em uma cabana em Hydesville em 1847, as irmãs Kate e Maggie começaram a contatar espíritos, entre eles um que chamavam de “Sr. Pé-fendido”, e que se manifestavam como uma série de batidas em mesas e paredes. As batidas se tornariam uma forma de comunicação, e Leah, a irmã mais velha, começou a cobrar para que pessoas testemunhassem o fenômeno, o que as levou a turnês pela América e Europa.
O movimento que veio a partir daí teve muitas consequência. Muitos dos primeiros espiritualistas eram apoiadores do sufragismo, e abolicionistas que ajudaram a Underground Railroad. E quando a ocupação de “medium” se tornou famosa por conta das irmãs, muitas mulheres, tendo tais dons ou não, encontraram uma maneira de escapar da pobreza e da falta de opções de trabalho da época, oferecendo opções além das poucas disponíveis.

Muitas coisas que vieram depois da área vieram em função do que elas começaram, desde as Mesas Ouija, até as demonstrações de manifestação ectoplásmica.

A Besta, Aleister Crowley (1875-1947), o libertino e hedonista mago britânico cujo objetivo, segundo ele, era “ir contra os valores morais e religiosos do seu tempo”, defendendo a liberdade pessoal e espiritual baseado em sua doutrina, a Thelema, e o “Fazes o que tu queres”. Antigo membro da Ordem Hermética da Aurora Dourada, co-fundador da ordem Astrum Argentum, e até líder da Ordo Templos Orientis, Crowley, para o bem ou para o mal, foi um dos ocultistas mais notórios de sua época, e por isso foi declarado pela imprensa de seu tempo como “O homem mais perverso do mundo.”

Fernando Pessoa (1888—1935) o mais universal poeta português, que também era filósofo, dramaturgo, ensaísta, publicitário, inventor, crítico literário e comentarista político, mas que também era astrólogo e muito interessando em ocultismo e paganismo (algo recorrente em vários poetas da época), tendo traduzido os escritos de Helena Blavatsky, defendido organizações iniciáticas como a Ordem Rosacruz e a Maçonaria publicamente, e até participado de uma farsa em que Aleister Crowley tentou forjar seu suicídio (eles se conheceram após Pessoa ter corrigido erros em uma publicação astrológica que Crowley fizera).

Helena Blavatsky (1831-1891), Mística russa, fundadora da Teosofia e autora da Doutrina Secreta, os escritos de Blavatsky ajudaram a introduzir conceitos do leste ao mundo ocidental. Reincarnação, karma, coisas que foram injetadas no mundo oculto da época por ela enquanto viajava o mundo e fundava seu próprio movimento religioso.

Samuel Liddell MacGregor Mathers (1854-1918), um dos fundadores da Ordem Hermética da Aurora Dourada, e tradutor de diversos antigos textos ocultistas como A Clavícula de Salomão e o Livro de Abramelin. Segundo dizem (bem, segundo Aleister Crowley) tinha o hábito de jogar partidas de xadrez com deuses pagãos.

Dion Fortune (1890-1946), ocultista e escritora, Fortune incluiu conceitos de psicologia em sua prática oculta, mas também foi autora de romances recheados de informações sobre as secretivas ordens iniciáticas da época e seus rituais, bem como trabalhos acessíveis sobre a Cabala, e defesa psíquica. Passando pela Sociedade Teosófica, a Ordem Hermética da Aurora Dourada, Fortune acabou fundando sua própria ordem, a Sociedade da Luz Interior.

Arthur Conan Doyle (1859-1930), o famoso escritor britânico mundialmente famoso por pelas histórias de seu mais conhecido personagem, o detetive Sherlock Holmes, também era um grande adepto e defensor do Espiritualismo, tendo entrado em contado com o movimento após a morte de sua primeira esposa, e afirmava ter travado contato com espíritos e testemunhado suas manifestações.

Doyle também analisou as famosas fotografias das Fadas de Cottingley, uma série uma série de cinco fotografias tiradas pelas primas Elsie Wright e Frances Griffiths em 1917; As fotos chamaram a atenção do escritor Sir Arthur Conan Doyle, que as usou para ilustrar um artigo sobre fadas, como espiritualista, Doyle estava entusiasmado com as fotografias, e as interpretou como uma evidência clara e visível de fenômenos psíquicos.

Harry Houdini, “O Grande Houdini”(1874-1926), foi um dos mais famosos escapologistas e ilusionistas da história. Além de seus espetáculos em teatros, Houdini, desiludido com métodos de contactar espíritos após a morte de sua mãe, se tornou um ferrenho perseguidor de falsos espiritualistas e pessoas que usava truques para enganar as pessoas que os procuravam.
Ele era capaz de identificar os truques por sua experiência como mágico, e porque ele próprio havia se passado por médium em sua juventude, em uma época em que diversos ilusionistas se apresentavam como pessoas com legítimos poderes paranormais.

Essa missão acabou fazendo com que batesse de frente com seu amigo Conan Doyle, e logo, os dois se tornaram adversários, tenho uma amarga e publica quebra de relações, com Doyle inclusive clamando que Houdini possuía poderes mediúnicos, e estava tentando suprimir outros com habilidades paranormais.

Rose Mackenberg (1892-1968) foi uma investigadora particular e associada de longa data de Harry Houdini. Chefe de um grupo de detetives que investigavam médiuns, fazendo uso dos mais diferentes disfarces e técnicas, Mackenberg investigou e desmascarou fraudes por mais de 20 anos, tendo inclusive sido referência em tribunais para o assunto.

Stanislawa Tomczyk foi uma médium polonesa que quando em transe, sob o controle de uma entidade nomeada “Pequena Stasia”, era capaz de levitar objetos e outros feitos de telecinese, como parar relógios ou controlar o movimento de roletas. Suas habilidades foram até mesmo estudadas pela Society of Psychical Research.

Harry Price (1881-1948), pesquisador psíquico que usava diversos métodos científicos e tecnológicos para investigar fenômenos paranormais, assombrações, e expor fraudes. Também esteve envolvido no infame Experimento Brocken, em que o ritual em um antigo pergaminho que dizia ter a fórmula mágica para transformar um bode em um belo jovem, foi posto a prova.

Helen Duncan (1897–1956), médium escocesa conhecida por suas demonstrações onde regurgitava ectoplasma, que as vezes era usada para preencher um fantoche que seria animado por espíritos.
Duncan foi a ultima pessoa da Grã-Bretanha a ser presa e enquadrada nos Atos de Bruxaria de 1735, quando durante a Primeira Guerra, se comunicou com o espírito de um marinheiro cujo navio havia afundado. Como a notícia do naufrágio ainda não havia sido divulgada, ela se tornou suspeita de espionagem, e os Atos de Bruxaria foram usados para detê-la até que pudessem investigá-la.

 

Thomas Edison (1847- 1931) O empresário que patenteou e financiou o desenvolvimento de diversos inventos que mudaram o mundo, conhecido como “O Feiticeiro de Menlo Park”, Edison registrou cerca de 2.332 patentes, entre elas a lâmpada elétrica incandescente, o fonógrafo, e o cinematógrafo. Mas o que nem sempre é lembrado, é que durante uma época, Edison buscava inventar uma maneira de se comunicar com os mortos, tendo inclusive testado e escrito sobre tal aparelho mais de uma vez.

O contato com o paranormal naquela época era feito (ou pelo menos tentado) de várias maneiras, quer seja com aparelhos científicos, como as máquinas de Harry Price usadas para capturar assombrações, como as tentativas de fotografar espíritos e seres mágicos, usado por diversos fotógrafos espirituais e no já conhecido caso das Fadas de Cottingley, ou até por métodos um pouco menos mundanos e mais esotéricos.
Exemplos de tudo isso podem ser encontrados pela história, e o que mencionamos até agora é apenas uma fração das referências existentes.

Estamos ansioso para ver quais vão ser as referências que vão usar para seus visuais durante o evento.

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